É a hora de rir, mas não tenho de
que.
Sou o palhaço, faço as pessoas
rirem, mas eu não vejo graça, o que está errado? Será que sou sem graça? Mas as
pessoas dão muitas risadas comigo, o que está errado?
Tudo que busquei foi fazer as
pessoas felizes, espalhar a risada pelo mundo, consegui? Mas eu também não faço
parte do mundo? Como pode? Um palhaço que não ri da própria piada, como posso
não achar graça em nada...
E quando o palhaço perde a graça?
É a hora de pensar, algo há de
estar errado. Rir ou fazer rir? Eu quero os dois, mas não consigo.
E quando o palhaço perde a graça?
É a hora do desespero, de não
saber o que fazer, pra onde ir, o que escolher. É a hora da escuridão... Sim,
tenho medo do escuro, quem vai segurar minha mão?
Um turbilhão de coisas na cabeça,
o mundo... Me deparo frente ao espelho, pintura borrada, lagrimas nos olhos... Desfaço-me
palhaço, torno-me eu, mesmo assim falta-me sorriso.
Então enxergo o que sempre esteve
claro, não é o oficio, não é a palhaçada... Vem de dentro, falta-me algo...
Uma flor, sim uma flor... Serás
minha companheira, minha vida...
Visto-me palhaço, agrego a flor e
rolo em gargalhadas... Completo estou, eu e minha flor...



